Somos Seres Sistêmicos
- Andreia Almeida Psicanalista
- 28 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Há uma profunda verdade sobre a natureza humana: não existimos isoladamente. Somos parte de uma vasta rede de sistemas interconectados, desde o nosso corpo (um sistema biológico complexo) até a família, o trabalho, a sociedade e o ambiente. A visão sistêmica, que tem suas raízes na Teoria Geral dos Sistemas, propõe que para compreender um indivíduo, é preciso olhar para o contexto e as relações das quais ele faz parte. Nossos sentimentos, comportamentos e até mesmo a saúde são resultados da dinâmica dessas interações.
O Indivíduo e Seus Subsistemas
Dentro da perspectiva sistêmica, o ser humano é visto como um sistema aberto, em constante troca com o meio. Isso significa que o que acontece em um de nossos “subsistemas” — seja a mente, as emoções ou o corpo — afeta todos os outros. Uma tensão emocional, por exemplo, pode se manifestar como uma dor física, e um desequilíbrio familiar pode gerar ansiedade individual. Reconhecer essa interdependência é o primeiro passo para buscar soluções que não sejam apenas paliativas, mas que atuem na raiz da desarmonia.
A Influência dos Sistemas Familiares
Um dos sistemas mais influentes em nossa vida é o familiar, frequentemente explorado em abordagens como as Constelações Familiares. A visão sistêmica familiar postula que padrões de comportamento, crenças e até mesmo problemas não resolvidos de gerações anteriores podem ser inconscientemente repetidos. O indivíduo, mesmo sem saber, carrega “lealdades invisíveis” ao seu sistema de origem. Entender que fazemos parte de algo maior e que nossa história é co-construída é fundamental para nos libertarmos de repetições e encontrarmos nosso lugar de força.
O Convite à Consciência e à Transformação
A consciência de sermos seres sistêmicos nos tira da visão fragmentada e nos convida a uma postura mais responsável e integrada diante da vida. Se você busca uma transformação duradoura, que vá além do tratamento de um sintoma isolado, é essencial olhar para os sistemas que o moldam. Permita-se investigar as dinâmicas ocultas em seus relacionamentos e em sua história familiar. Ao harmonizar seus sistemas, você não apenas cura a si mesmo, mas também contribui para o bem-estar de toda a rede da qual você é um elo vital.
Referências. BERTALANFFY, Ludwig von. Teoria Geral dos Sistemas: Fundamentos, desenvolvimento e aplicações. Petrópolis: Vozes. Ano da edição utilizada, e.g., 2011.2. HELLINGER, Bert. Ordens do Amor: um guia para o trabalho com constelações familiares. São Paulo: Cultrix. Ano da edição utilizada, e.g., 2007.3. HELLINGER, Bert. A Simetria Oculta do Amor. São Paulo: Cultrix. Ano da edição utilizada, e.g., 2006.



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